Enquanto Madeline dirigia em alta velocidade, Joanna estava no banco do passageiro, ou pelo menos metade do seu corpo estava lá. A garota havia aberto a janela e se debruçado do lado de fora usando sua metralhadora com o intuito de acertar alguns policias. 

- Madeline, mais rápido! – exclamava a atiradora tentando sobrepor sua voz ante ao som dos tiros.

- Já estou rápido! – retrucou a motorista – Mais que isso e iremos alçar voo! 

- Eu tenho que admitir Madeline… – disse Pamella, no banco de trás, sem retirar os olhos de seu bloco de anotações – Você já foi mais rápida.

A morena permaneceu calada e acelerou o máximo que podia. Joanna perdeu um pouco o equilíbrio e quase foi atingida por uma bala. Já Pamella acabou por cair de lado e derrubou seu bloco debaixo do banco do motorista. 

- Ótimo… – disse Pamella tentando recuperar suas anotações 

- Maldita metralhadora! – exclamou Joanna ao perceber que havia acabado sua munição – Madeline despiste-os logo! – a morena jogou sua metralhadora para fora do Mustang e sentou-se corretamente no banco. A arma terminou por parar no meio da rua o que fez com que o carro de polícia desviasse e quase batesse em um poste.

- Sim, senhora! 

Enquanto dirigiam em alta velocidade as garotas passaram em frente a um bar, onde estavam sentados na calçada, Karl e Hector

- Aquela não era a…? - disse Karl olhando rapidamente para Hector

- Não… Definitivamente, não… – afirmou o outro virando sua taça de vinho.

- Mas… Por que no Natal? – a garota indagou intrigada ao rolar sobre o corpo de Adrian.

- Ora, Madeline… Depois de tanto tempo nesse ramo e você ainda não sabe distinguir determinadas ocasiões? 

Madeline soltou um muxoxo de impaciência o que obviamente divertiu o loiro já que ele esboçou um sorriso maroto.

- As pessoas se tornam imprudentes em demasia no Natal, Harddon. Deveremos ser impecáveis, não podemos nos dar ao luxo de esperar outra ocasião semelhante.

Aquela explicação estava sendo repetida provavelmente pela quinta vez desde que o plano havia começado, Madeline adorava tentar irritar Adrian fazendo-o repetir diversas vezes a mesma coisa. Uma atitude deveras infantil. No entanto, todas as tentativas eram falhas já que, invariavelmente, quem se irritava era a própria Madeline.

- Bom, já que não teremos Natal esse ano, talvez nós devêssemos comemorá-lo antes… – a morena disse passando a mão pelos cabelos de Adrian. 

O rapaz arqueou uma sobrancelha, mas sorriu e segurou-a firmemente pela cintura antes de beijá-la levemente nos lábios. Eles se encaram por um breve momento, ambos haviam adquirido uma estranha expressão séria. Provavelmente um sabia o que o outro estava pensando. Aquele talvez fosse o primeiro e último Natal dos dois, o futuro que os aguardava não era como seus planos para golpes. Era um futuro turvo e incerto em que eles não poderiam fazer previsões ou planos de apoio caso o principal falhasse. Adrian sabia disso e sentia que Madeline também tinha consciência de tal fato. Eles eram homens sem futuro e deveriam aproveitar seu presente. Ao máximo.

- Eu te amo, Madeline.

- Feliz Natal, Adrian. 

- E o que fez você escolher esta vida? Você poderia ser o que quisesse, mas optou por ser um ladrão de obras de arte, por quê? 

Aquela pergunta atingiu Adrian de uma maneira inesperada, ele jamais havia pensado nessa escolha de sua vida.  Durante muitos anos, desde que iniciou seus “estudos” com Gregory, Adrian tivera consciência de que escolhera um caminho sem volta, mas ele nunca entendeu exatamente o porquê de decidir viver em uma vida criminosa a tornar-se um empresário ou um banqueiro assim como seu pai – Otto McBryde. Esse parecia ser um nome que sempre influenciara muito Adrian. Otto McBryde era um homem com um gosto caro e péssimas habilidades financeiras, não as herdara de seu pai, o fundador dos negócios da família. O pai de Adrian era um administrador medíocre e o próprio rapaz não possuía habilidades ou mesmo o desejo de cuidar de um negócio que em breve faliria. 

E era justamente esse banco prestes a enfrentar a falência que fez criar um acordo entre as famílias Harddon e McBryde. Fama e dinheiro reunidos através do casamento de seus filhos. Otto jamais revelara a sua mulher e seus filhos como conhecera os Harddon, mas ele era um homem de gostos luxuosos e os Harddon tinham a habilidade de obter tais luxos. Adrian sempre fora um rapaz corajoso e com um incrível talento para artes, algo muito apreciado por Phillipe Harddon. A união das famílias Harddon e McBryde teria sido extremamente propícia para ambos. McBryde manteria sua herança e os Harddon teriam a fama de que tanto necessitavam em um período em que estavam apenas iniciando seus negócios. Adrian se tornara apenas um prêmio adicional, um bônus nessa equação que terminou por fracassar.

- Adrian? – a garota o abraçou com mais força enquanto indagava curiosa ao notar o olhar distante do rapaz.

- Acho que, na realidade, eu nunca tive tantas opções assim. – ele afagou os cabelos negros da jovem carinhosamente – Eu fui apenas a pessoa certa na hora certa.